Disposição de alimentos e encantamento de clientes – Empresários precisam “abrir os olhos” para as demandas do mercado

Um dos grandes problemas dos celíacos é que nem sempre dá para saber se o alimento tem ou não glúten. Quer um exemplo? Não dá para fritar um ovo em uma mesma panela com óleo utilizado para fritar quibe ou pastel, com farinha de trigo. A gordura está contaminada. Ainda resta dúvida? Um celíaco não pode comer pão de queijo assado em uma forma untada com farinha de trigo. Não importa se é “só um pouquinho”, o celíaco não pode ingerir glúten.

Não dá para passar manteiga no pão francês e usar a mesma faca para passar manteiga no pão sem glúten. O “pouquinho” contamina. O “pouquinho” é suficiente para desencadear reações. Por isso a abstinência e a isenção são fundamentais.

Por conta disso achei muito interessante a lei estadual do Paraná que determina a exposição separada de alimentos para dietas especiais, a fim de evitar a contaminação. Aqui em Cuiabá encontro o macarrão sem glúten no Big Lar junto dos macarrões tradicionais. Compro e uso sabendo que meus filhos estão correndo risco de contaminação. Há uma previsão, promessa do supermercado em ter um espaço específico para tais alimentos, mas até agora o projeto não saiu dos planos.

No supermercado Comper, onde às vezes encontro a farinha de arroz Urbano , do arroz Tio Urbano, a farinha quando encontrada está lá, ao lado das farinhas de trigo.  Mais uma vez sou forçada a utilizar acreditando na boa sorte, pois o risco da contaminação está visível.

Assim, seria de grande valia que nossos deputados também se interessassem pelo assunto, que é de saúde pública, e propusessem uma lei parecida com a do Paraná, determinado espaços específicos para determinados alimentos, diminuindo e até evitando o risco de contaminação. Isto certamente também ajudaria na busca por tais produtos e facilitaria a vida dos clientes. Afinal, somos clientes. Não estamos pedindo favor e sim respeito ao direito do consumidor.   

Vale lembrar que Cuiabá será uma das sub-sedes da Copa de 2014 e com isto a expectativa é que cresça o número de turistas aqui no Estado, tanto brasileiros como estrangeiros. A doença celíaca é mais comum do que imaginamos.  De acordo com uma pesquisa sobre doença celíaca da Escola de Medicina da Universidade de Maryland, traduzida pela Federação Nacional das Associações de Celíacos do Brasil, “estima-se que 1 em cada grupo de 100 a 200 pessoas nos EUA e na Europa tenha a doença celíaca. No Brasil ainda não temos um número oficial, mas na última pesquisa publicada pela UNIFESP, em um estudo feito com adultos doadores de sangue, o resultado  apresentou  incidência de 1 celíaco  para cada grupo de 214, moradores de São Paulo”.

Pensando nisso, o que oferecermos para esses turistas? O que os atendentes de supermercados, padarias, hotéis vão responder quando questionados sobre a composição dos alimentos? Recentemente meu marido passou por uma situação constrangedora na padaria Marechal, em Cuiabá. O pão de queijo estava misturado com outros produtos que levam farinha de trigo no preparo. Então ele foi conversar com a responsável, que se identificou como proprietária, e ao tentar explicar sobre a intolerância a glúten e solicitar a separação dos produtos, a mesma respondeu que se achávamos que aquilo ia fazer mal para nossos filhos que fossemos comprar em outro lugar.

Nós sempre parávamos ali para comprar pão de queijo, pois a informação que tínhamos dos próprios atendentes do estabelecimento era que o biscoito e o pão de queijo não tinham glúten e eram assados separadamente. Ficamos estarrecidos com a resposta, ainda mais vinda da “dona”. Total falta de preparo para o comércio.

A quem recorrer num caso deste? Nossa alternativa foi não mais comprar nada lá, pois o pior foi a falta de educação e os ouvidos moucos para a demanda de mercado. Não adianta cursos preparatórios para atender bem, apenas para os empregados. Os empresários estão precisando voltar aos bancos escolares e aprender uma das primeiras lições de vendas: como encantar o cliente.  

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